A Caminhada (capitulo 08)

A Caminhada (Estou de Volta)

Viajar de volta a minha terra por um avião bimotor,
Era só pensar no veículo voador, já era assustador.
Muita turbulência e o medo de altura,
Já causam muito enjôo e tontura.

Para espantar o medo foi preciso ser um mago.
Para me acalmar, resolvi compor um poema, no meu tempo vago.
Exaltando a beleza da cidade do meu destino.
As recordações quando eu era ainda menino.

  • . Estou de Volta.
  • . Estou de volta a minha cidade.
    . Tô chegando cheio de saudade.
    . Da janela, ver o amanhecer.
    . Lembranças da infância reviver.
  • . O sol de trás da montanha, surgir.
    . Clarear o vale e de flores colorir.
    . Lençol de neve o monte cobrir.
    . Mais um dia a natureza a florir.
  • . Hammana cidade de veraneio.
    . Cachoeiras, jardins, lugares de passeio.
    . Capital da cereja e festivais de flores.
    . No inverno toda branca, no verão cheia de cores.

Enquanto eu escrevia o último verso.
Do meu amor imenso
Ao país dos cedros .
A terra dos primeiros navegantes de além mar
O berço do nosso alfabeto atual
Do grande poeta Gibran e da cultura milenar.
É a nação multiplural

Quarenta minutos de voo.
avistamos as montanhas e o litoral
As cidades de Batrum e Trablos. (Tripoli)
Como também a cidade Jbeil, a antiga Biblos
Biblos é a mais antiga cidade do mundo
Biblos significa livro e a bíblia livros.

Logo depois, lá embaixo, a baía de Junieh
O famoso Casino du Liban e a praia de Tabarja.
E lá no alto da colina, está a estátua.
A estátua da Nossa Senhora do Líbano.
imponente de braços estendidos protegendo o Líbano.

Enquanto esperava a autorização para aterrissar,
O avião deu uma volta no céu de beirute
Lá de cima a imagem da cidade estava linda
Vi nas montanhas as cidades de Falugha
e Hammana
No litoral a universidade Americana.
Avistei a famosa rocha no mar “Alraoche”
Os bairros Rás Beirute, Alhamra e El Zeituni
Passei pelo Alhazmié
Praça dos Mártires, Saint Michel e Ashrafié.
Só faltou sobrevoar a floresta do Cedro
E o monte Sannin, eterno neve no seu cume.
O branco eterno, o branco lume.

Eu senti o alívio ao aterrissar.
Um ônibus me levou até o centro.
Não havia muito movimento parecia deserto.
Ouvia o eco dos tiros
Era a crise política do Líbano de 1958.
As ruas quase desertas.
Dei sorte e consegui um táxi pirata
O motorista exigiu o pagamento na lata.
A corrida custou uma baba.
Cheguei a Hammana quase sem grana.

Meu convite continua em pé.
A crise política vai passar, tenho fé.
Logo, logo, a gente se vê.

Por
Aslan Minas Melikian
Niterói, 02/04/2022.

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