Um Velho Gagá ou Será Um Poeta Porreta?

Um Velho Gagá ou Será Um Poeta Porreta?

As nossas vidas são cheias de aventuras.
As gerações agora têm nomenclaturas.
A minha é a “Baby Boomers”, é de samba.
A atual é a “Z”, é atrevida, robótica e bamba.

A minha geração pós guerra, é de história.
A nova geração de aplausos é meritória.
A minha é de interagir, ouvir e conversar.
A atual se comunica a distância ao digitar.

Eu gosto de ouvir ópera, como Aída e Carmen.
Música clássica Tchaikovsky e Beethoven.
Ouço Enrico Macia, Frank Sinatra e Charles Aznavour.
Ouvir Maria Callas, Sarita Montiel, é o glamour.

Assisto a TV em alto volume.
Deficiência auditiva é o tapume.
– Baixe o volume! Alguém recomenda.
Ainda bem, consigo ler a legenda.

Preciso, ao falar, eu me patrulhar.
Qualquer frase pode me atrapalhar.
Os conselheiros não costumam faltar
Ensinam como devo me comportar.

Logo completarei setenta e nove anos.
Já atravessei continentes e oceanos.
Já fui chamado de Baron e de careta.
Agora me chamam de velho gagá, ou de poeta porreta.

Lembrei a Crônica de Millôr
Última linha do texto do grande escritor.
“Ser gagá é fogo, ou melhor, é muito frio.”
E só de pensar no futuro, já dá calafrio…….

Por
Aslan M Melikian
Niterói, 29/11/2021

Cinquenta Anos de Encontro.

Cinquenta Anos de Encontros

Após quatro anos de internato
Entre o convento e o instituto.
Fora da sala de aula aos quinze anos.
Por falta de recursos.
Eu queria continuar os estudos.
Mas eu não pude por falta de recursos.
Ganhava pouco como marceneiro.
Queria atravessar os oceanos como aventureiro.
Eu havia visto o cartão postal do Rio de Janeiro
Na capa de um caderno, achei maneiro
Trabalhei muito e juntei o dinheiro
Comprei a passagem.
Sobrou pouca grana e uma pequena bagagem.
Atravessei o oceano atlântico numa solitária viagem.

O navio adentrou na Baía da Guanabara.
Eu, na convés, vi no topo do Corcovado, o Cara.
De braços abertos acolhedor.
Era o Cristo Redentor.
As lindas paisagens ao meu redor.
Inspiraram esse imigrante, o andarilho porreta..
A compor os seus versos de poeta.

Ancorei no meu destino .
No Rio que tanto estimo.
A brasilidade eu assumi.
Niterói, a minha morada eu escolhi.
Com o postal mais belo do Rio, visto de Icaraí.

Aqui encontrei a minha mulher e companheira.
Conquistá-la não foi uma brincadeira.
Juras de amor pra vida inteira.
O resultado é a nossa videira.

– A você, minha mulher, companheira e meu par.
– Você é a terra, eu sou o mar.
– Eu sou o fogo, você é o ar.
– Você tem o brilho do luar.
– Eu cuido do pomar.
– Você é o pilar.
– Eu, o solar.
– Você é a Ursa Maior.
– Eu, Cruzeiro do Sul.

Juntos, cinquenta anos completos.
De realizações estamos repletos.
Filhos, noras, genro e netos.
São os nossos maiores diletos.

Nossa caminhada continua.
Em direção do sol e da lua.
Junto com minha musa, que insinua.
Que continua bela, nua e crua.

Por
Aslan M. Melikian

LUMES

LUMES

Será que é um OVNI?
Ou é o sol da meia noite?
Ou será que é um cometa?
Ou é uma estrela cadente?

Na calada da noite acontece.
Um lume no horizonte aparece.
Que pena que a luz logo perece
A penumbra, que o Brasil não merece.

O povo está iludido com certeza.
Tá difícil botar comida na mesa.
O Serviço público pesa na despesa.
Descaso de político que te lesa.

Vamos imitar os vagalumes.
Clarear o céu com os nossos lumes.
Cortar os males com nossos gumes.
Levar o Brasil aos mais altos cumes.

Por
Aslan Minas Melikian
Niterói, 24/11/2021

Uma Canção Sem Parolas.

Uma Canção Sem Parolas.

Numa noite de luar
a luz refletia o seu brilho no mar.
Poseidon pedia
um linda melodia,
uma canção sem parolas
Com os murmúrios das marolas
Aos explodiram nas rochas.
A arrebentação.
O grito de uma oração.
Das espumas surgia a Afrodite,
a deusa do amor, a inspiração,
a amada, declaração.
Sussurrando as parolas
como murmúrios de marolas,
a declamar uma prosa.
Oferecendo uma rosa,
E fazer a chama do amor acender.
E aos encantos da amada se render.

Uma brisa polar
fazia os ramos das palmeiras balançar,
tentando se entrelaçar,
se abraçar.
As folhas, no compasso da melodia, batiam palmas
homenageando os amantes com bailados de valsas.
O desejo de ver dois corpos num só de duas almas.

As flores exalavam os seus perfumes.
Na penumbra, o pisca-pisca da festa dos vagalumes.
Os amantes já estavam na maior chama em pleno lumes.

Por
Aslan Minas Melikian
10/10/2021

Abarcar

Abarcar………….

Tu me pedes.
A aceitar os teus conceitos.s
Abnegar os meus.
A acatar os teus desejos.
A calar-me.
Mesmo assim,
eu irei te abarcar.

Tu poderás até podar-me,
Criticar-me,
Contestar-me,
Até silenciar-me,
Mesmo assim,
eu irei te abarcar.

O tempo passará.
Tu aprenderás,
A analisar-se,
A encontrar-se,
A refletir-se.
Aí, entenderás o que é o abarcar.
A olhar e a ver,
A ouvir e compreender,
Os conselhos acolher,
Agregar o saber.
A viver.
Tu poderás até errar.
A capacidade de se corrigir e acertar,
Aí, tu terás o dom da parlar.
Estaremos juntos ao abarcar.
No mesmo barco;
Darei as boas vindas, no meu paço.
Com um abraço.
Com cerveja gelada e churrasco no meu terraço.
E mandar tudo que não presta para a casa do cazzo.

Por
Aslan Minas Melikian
Niterói, 11/11/2021

 

Ao Pôr do Sol

Alzira Cury (23/04/1912 – 18/04/2019)

Serenamente
Ao pôr do sol,
Você fechou seus olhos
E nos deixou.
A lua cheia
Apontava no horizonte,
Reluzindo a noite.
É noite de luar
Iluminando o céu, a terra e o mar.
Estendendo um tapete de luz,
Para você passar.
Rumo à eternidade.
Vá em paz.

Nós sentiremos muito sua falta.
Nas nossas memórias estará sempre viva.
Não posso deixar de falar
Do seu amor intenso,
Do seu sorriso e carinho imenso.
Do seu charme e olhar cheio de ternura
Da sua generosidade.
E da sua imensurável bondade.
Do seu coração pleno de amor.
Como não falar?
De meu amor eterno por você.

Fecho os meus olhos e velejo.
O seu sorriso e seu olhar tão meigo.
É assim que
Eu te vejo.

Por
Aslan Minas Melikian
Niterói, 19/04/2019

Na Intimidade Com Cleópatra

Na Intimidade Com Cleópatra

Eu sou um cara meio cético.
Pode acreditar, eu sou eclético.
Me questiono se eu já vivi o épico?
Ou se eu já tive um caso exótico?

Se eu acredito em reencarnação?
O assunto, já chamou a minha atenção.
E provocou a minha imaginação.
Deu até vontade de fazer uma regressão.

Será que eu fui?
Um político.
Um crítico.
Um cara mítico.
Ou Será? Fui um místico

Será que eu fui?
Um soldado em Cartago.
Um mercenário bem pago.
Será? que eu cruzei os Alpes
e já fui um mago.
Ou um ébrio sentado a beira de um lago
Bebado, falando besteira, enchendo o saco.

Será que já vivi?
Em Esparta ou em Atenas.
Na época em que as mulheres eram jónias.
Depois de Homero passaram a helenas.
Hoje são gregas apenas.

Será que eu já fui?
Um ateniense ou romano.
Um dos trezentos do Leônidas, espartano.
Será que? Ele foi herói ou era um ufano.
Ou Xerxes bobeou e entrou pelo cano.

Será que eu conheci?
Pitágoras e Sólon
Sócrates e Zenon
Ou Aristóteles e Platão
A Helena, mulher de Agamenon

Será que eu estive?
No Egito e na ilha de Sumatra.
E fiquei na intimidade com Cleópatra.
Certo que eu continuo um ginecólatra.
Será que fui na Fenícia comerciante alcoólatra?
Ou Será? Estou precisando de um psiquiatra.
Será……..

Por
Aslan Melikian
15/09/2021.

Voando A Minha Cidade Natal

Voando A Minha Cidade Natal

A saudade me deu vontade de voltar.
A cidade que um dia foi meu lar.
Voar de Tapete Mágico,
Confeccionado com fios dourados,
Por meus antepassados
há muitos milênios
Lá no planalto dos armênios

Queria rever os meus irmãos e matar a saudade
Aparecer de surpresa e vê-los felizes de verdade
Levantei voo com o meu tapete mágico.
A viagem durou alguns minutos, eu fiquei eufórico.
A minha cidade natal estava bem diferente
Mudanças radicais entre o passado e o presente.

Sobrevoei Beirute, minha cidade natal.
Avistei a famosa rocha “Alraocha”
Fui até a cidade de Falugha
e Hammana
Voei sobre a A universidade Americana
Rás Beirute, Alhamra e El Zeituni
Passei pelo Al l Hazmié
Praça dos Mártires, Saint Michel e Ashrafié.
Lá no alto da Baía de Junié
A Nossa Senhora do Líbano
Protegendo Beirute e Junié
Sobrevoei A sagrada floresta do Cedro
E a monte Sannin, eterno neve no seu cume.
O branco é o brilho do seu lume.

O Sol já mergulhava no mar.
Quando Avistei o bairro onde eu era meu lar.
Passaram 54 anos, e nada de mudar.
Pousei no terraço.
Onde ficava meu paço
Meu AP ficava logo abaixo
Abri a porta da escadaria
A dois lance onde era minha moradia
Parei:
Como não lembraria?
Que último lance de escada era minha romaria.
Que un dia foi o meu motel
O espaço das minhas aventuras e meu ninho de prazer
Ora com a foguenta Jeanete
Ora com sensual Claudette
Das minhas aventuras ninguém sabia.
Será?
Há pouco tempo, descobri que tudo mundo sabia.
Menos eu,
Desci até o AP e toquei a campainha.
Ninguém abriu.
Na manhã meu irmão saiu.
Passou por mim, nem me viu
Fui para a rua, ninguém me ouvia
ninguém respondia.
Minha presença ninguém percebia
Eu era invisível e eu não sabia.

Por
Aslan Minas Melikian
27/08/2021

Obs: o mar Mediterrâneo
é chamado também de Mar Branco

Vencer ou Vencer

Vencer ou Vencer

O tempo passa e só muda o cenário
Os conceitos continuam no mesmo glossário
Conceitos religiosos, políticos e futebolísticos.
Continuam assuntos polêmicos.
Numa roda de conversas eu não opino.
Por deficiência auditiva não ouço bem o dito.
Falar de religião, eu evito.
Cada um tem a sua fé e o seu rito.

No momento, a política é o assunto mais discutido.
Cada um tem o seu candidato preferido
Discutir política, eu omito.

Futebol é o grito “Vencer ou Vencer”
Cada um escolhe o seu clube para torcer
Desfilar com a camisa é o afirmativo
Na arquibancada do estádio do Maraca
Doido para ver o seu time fazer gol de placa.
Começa o jogo e ele fica aflito.
Ansioso para ver o gol do seu time e soltar o seu grito.
Não importa se é roubado, ou se ganha no apito.
O que mais importa, é soltar o grito,
Goooool …….
Chega em casa rouco.
Louco, chama pela mulher.
Declara que a ama
Enche a cara
Vira poeta e leva a amada pra cama.
Ela não resiste, ele é o cara
Cai nos seus braços
Com beijos e abraços.
Muito carinho e ternura
É a noite de amor, sexo e loucura.
Futebol e Mulher
Paixão e prazer
Que sejam eternos pra valer.

Por
Aslan Minas Melikian
Niterói, 15/08/2021.

O Circo na Capital.

O Circo na Capital.

O Circo dos Picaretas Imbecis.
Digo, e confirmo o que eu já disse.
Em tempo de pandemia.
Shows de pura grosseria.
Alguns picaretas pulando a cerca
Presta atenção e não perca
O show de abusos que nos cerca.
Os nossos eleitos no congresso
Prometendo Ordem e progresso
Alguns estão respondendo processos.
Eu fico possesso.

Lá na capital
Um show tragicômico no teatro Senatorial
Começa na terça,
É no circo que nos cerca
Na Cerca
Construída na década de cinquenta
Virou capital federal em 21/04/1960.

O Circo está cheio de políticos
Os recomendo o uso solitário de falos acrílicos.
O show é no palco do senado
De terça a quinta está lotado
Um tribunal de politicagem
Circense e de bandidagem.
O depoente precisa ter coragem
Alguns são humilhados
Outros são bem tratados.
Direitos de alguns cidadãos banidos
D’outros são deferidos.
A carne está crua
Uns querem ver a rainha na rua
Outros querem vê-la nua.
O show continua

Na capital está cheio de corvos
Declaram que trabalham para o povo.
A pandemia vira um palco político
Um show de um espetáculo patético.
A carne está crua
A rainha nua
O show continua

Qualquer semelhança é pura coincidência.
Qualquer coincidência é pura semelhança.

Por
Aslan Minas Melikian
Niterói, 10/07/2021