Meu Herói,

Meu Pai, Meu Herói.

Meus Heróis não morrem de over dose
Não têm neurose
Não têm psicose
Não fazem pose
Não têm partidos
Não são bandidos
Meu herói é um sobrevivente
Já encarou a morte de frente
A cena do extermínio da sua gente
Nunca saiu da mente
Foi um herói e superou a marcha da morte
Aos oito anos precisava ser forte
Sozinho no mundo, ele foi um gigante.
Andou pelo deserto como errante
Sobrevivente de genocídio foi o seu patente
O jeito foi encarar a vida de frente.
Foi um vencedor e exemplo para muita gente
Um grande amante das artes
E foi amado por muitas amantes.
Ele era um grande humanista
Generoso e universalista
Ele não está mais aqui, há tempos que ele se foi.
Mas ele continua sendo o meu maior herói.

Por
Aslan Minas Melikian

Pão Na Chapa

Pão Na Chapa.

Fui assistir ao #pãonachapa ao vivo.
Convidado por Samia, que eu sigo.
Entrei na sala, já havia começado.
Pena que cheguei atrasado
e sai antes de ter terminado.
Com a receptividade de Maria José Feres,
honrado eu me senti.
Os temas abordados, eu ouvi,
gostei e me envolvi.
Voltei no tempo, no passado eu me revi.

Lá estava minha mãe, Madame Marí.
Com seu lindo sorriso olhando para mim.
Madame Marí, assim era conhecida na cidade.
Moderna, à frente do seu tempo e na sociedade.
Bela, esbanjando o seu charme com o seu cigarro na mão.
não sei, se era rebeldia ou contestação.
Não tinha medo de zangão.
Tinha o dom de premonição,
a faculdade da percepção.
Na sociedade era respeitada.
Por seus sábios conselhos, era procurada.

Era dona de casa e dona da casa.
À família era muito dedicada.
À noite, a massa por ela era preparada.
De manhã cedo já estava no quintal.
Havia uns tijolinhos sustentando uma chapa especial,
Formando um fogareiro para assar o pão.
Ela sentada num banquinho e a massa, na mão.
Num ballet de braços esticados, abria a massa fina.
Formava um disco de espessura de uma cartolina.
Jogava em cima da chapa quente.
Logo o aroma do pão abria o apetite da gente.
Era o Pão Na Chapa. Era só rechear,
com queijo e azeitonas ou coalhada seca…
Ou pepino, tomate e uma pitada de sal,
Era só enrolar em forma de panqueca.

Lembro-me dos tabules das quartas-feiras à tarde.
Em torno da mesa mulheres em debate.
Comes e bebes e cigarrilhas à parte.
Já era o começo da isonomia e da paridade.

Por
Aslan Minas Melikian
Niterói, 13/07/2020

Vai Passar, Vai Passar.

Vai Passar, Vai Passar.

A vida é cheia de surpresas.
Como um veleiro.
Ás vezes,
Navegamos tranquilamente em alto mar.
Numa noite de estrelas e luar.
Uma brisa gostosa no ar,
E frescor do orvalho nas nossas caras,
Ouvindo as melodias das marolas.
Outras vezes a natureza se revolta,
O vento sopra contra,
Esconde as estrelas e a lua,
Provoca uma tormenta.
A marola se agiganta,
Vira uma espumante onda
O meu veleiro vai à luta.
Enfrentar a tempestade.
É preciso remar, é preciso remar…
Vencer as ondas do mar,
A terra firme chegar.
No meio da noite,
Uma luz no horizonte,
A esperança….

Assim também é nossa vida.
Como um veleiro, ela veleja.
Com destino a felicidade.
Mas, a vida é cheia de surpresas.
Às vezes, é numa noite de luar.
Outra, é de uma tormenta.

Há algum tempo,
Estamos num tormento em alto mar.
Numa noite de ondas sem par,
Sem estrelas, sem luar,
Sem bussola e sem direção a remar.
Mas com muita esperança,
Tempo de reflexões e de solidariedade.
Como meus ilustres leitores,
Eu repito…
Vai passar, vai passar,
E o mundo vai mudar
Para um mundo melhor.
Felizes para amar,
Sob um céu estrelado e noites de luar.

Por
Aslan Minas Melikian
22/04/2020

O Gato Felix

O Gato Felix

Um ilustre senhor perguntou
Ao presidente do congresso Nacional
– Por que tanto ratos nos corredores do parlamento?
– Já tentamos – disse o presidente
– Dos roedores nos livrar.
Nem com veneno conseguimos com eles acabar.
Fizemos o uso da ratoeira
Mesmo com ultrassom continuaram na zoeira
Nada adiantou nada, até agora
O ilustre senhor disse:
– Consulte o mestre José Carlos, o Zeca.
Ele é especialista em imunização natural.
Um excelente profissional
Defensor do meio ambiente
O seu trabalho é eficiente.
O Sr. Zeca recomendou a contratação do Felix, o gato.
– O Felix é um felino inimigo nato do rato.
E Assim, foi elaborado um contrato.
Serviço de uma semana com uma cláusula.
No almoço, não podia faltar sardinha no prato.
Exigência do Félix o gato.
Dois dias bastaram para eliminar o vestígio dos ratos.
O serviço foi perfeito conforme o trato
Com o nosso dinheiro a fatura foi paga
E o parlamento se livrou da praga
A ausência dos ratos durou menos de uma semana.
Uma surpresa a lamentar.
Ver a praga dos ratos voltar
Encontraram o gato Felix deitado em cima do um saco..
Tirando uma soneca
O velho ilustre senhor perguntou :
– E agora José? Como fica?
– As coisas mudaram – disse o Zeca
O gato foi nomeado assessor parlamentar
Procuramos por Félix.
Estava na piscina no Lago Sul numa casa
Num banquete regado a whisky e churrasco na brasa.

Por
Aslan Minas Melikian
17/12/2019

Uma Grande Família

Uma Grande Família

Em tempos da pandemia,
o resultado do exame, foi o que eu temia.
Ela, minha mulher, precisava apoio da gente.
O importante era agir urgente.
É decretada a quarentena.
Cirurgias seriam adiadas. Que pena!
Ficamos pávidos.
Meus meninos foram rápidos.
O meu caçula, o Eduardo, foi um gigante.
Não largou a mãe nem um instante.
Preparou todos os procedimentos.
Na véspera dos adiantamentos,
na última hora no último dia,
Correu tudo bem na cirurgia.

Ao expressar a minha gratidão,
aos meus meninos pela dedicação,
a resposta foi do meu caçula Eduardo:
– Nos somos você do passado.
Aí que percebi,
que a minha missão, eu já cumpri.
Eles continuam sendo parte de mim.
O DNA não nega.
O nosso amor agrega.
Eu e ela prestamos a nossa gratidão
pelo carinho, amor e dedicação.
Aos filhos, genro, noras e netos.
Nossos muitos e muitos, obrigados.
Somos uma grande família amada,
e no amor agregada.
Ela, logo estará livre do que a gente temia
O mundo também, estará logo livre da pandemia..

Por
Aslan Minas Melikian
Um poeta nas horas vagas
Niterói, 03/05/2020

A Quarentena

A Distância

Isolamento?
Afastamento?
Recolhimento?
Ou é Distanciamento?
Sem a bagunça do garotada na minha sala,
Sem o susto de quebrar o vidro com a bola,
Sem a correria de esconde-esconde,
Sem comentários de bate-bola no almoço,
Sem o abraço,
Sem o beijo,
Sem poder acolher no meu colo Luisa, a minha netinha…
Sem o lindo sorriso e o carinho imenso de Laurinha…
Sem bater a palma com palma com meu neto Rafael…
Sem ouvir a risada e as histórias engraçadas de Daniel…
Sem a presença da linda neta Marina, falando de arte…
Sem o papo adolescente com Léo, que era uma parte…
sem a companhia do neto, que tão bem me fazia…
Sem a agitação do minha prole, a casa está vazia…
sem poder pegar a mão da minha amada,
sem ter uma noite de amor na madrugada.
Estou num oásis. Tenho tudo e não tenho nada.

Por
Aslan Minas Melikian
05/04/2020.

Solidariedade

Solidariedade.

Acordei ao amanhecer.
Encostei-me à grade da varanda.
Mirando o horizonte para ver o astro rei nascer.
As nuvens tentaram o esconder.
Mesmo assim iluminou o céu e a terra para nos aquecer.

Hoje o mundo inteiro quer ver o amanhecer.
Todos isolados cada um na sua morada,
Mirando o futuro na esperança de acontecer,
Um milagre para o mundo vencer e
nós livrar dessa pandemia e o Covid-19 perecer.

O isolamento social fez nos refletir.
As solidariedades aderir
Os ecos dos parabéns a distancia ouvir
e junto com as cantorias das orações, e pedir
que o amanha seja um presente para o mundo sorrir.

Por
Aslan Minas Melikian
22/03/2020

Dia Internacional da Mulher

Dia Internacional da Mulher

Dia da mulher amada.
De deusa a ser chamada.
De divina aclamada.
Eterna, e adorada.

O Importante ama-la.
Do meu bem chama-la.
Nos braços toma-la.
Com muito amor doma-la.

Não a chama no pito.
Começa com um rito.
E que ela é um mito.
Adorará o dito.

Galanteios você cita.
Alma dela você fita.
Se perguntar onde sita.
É no Éden: Você grita.

Por
Aslan Minas Melikian
08/03/2020

Ontem, Foi Ontem.

Ontem, Foi Ontem.

Ontem, eu tinha treze anos.
Não havia celular nem televisor.
Nem Big Brother nem computador.
Eu brincava com os amigos na calçada.
Esperava a bela Jaqueline passar na rua.
Na minha imaginação, vê-la desfilar nua.
O seu corpo de violoncelo balançar.
Ouvir o ritmo das passadas de seu andar.
Soando como uma melodia
No mesmo ritmo que meu coração batia.
Por ela, eu era apaixonado.
Por sua beleza, embriagado.
O seu olhar me seduzia.
O seu cheiro me atraía.
O meu corpo reagia.
A testosterona explodia
a procura de estrógeno e progesterona.
A atração.
O instinto de perpetuação.

Ontem, eu tinha treze anos.
Não havia celular nem televisor.
Nem Big Brother nem computador.
Jaqueline era uma mulher casada
O sobrado da minha casa era a sua morada..
Ao descer pela escada provocava..
Pelos cantos dos olhos, olhava e se divertia.
Eu, um pirralho.
Sonhava.
Com cara de tacho, babava.
Tomá-la nos meus braços, eu sonhava.
Nas suas curvas deslizar, eu desejava.
A imaginação de mergulhar nos seus encantos.
Eu era um pirralho
Sonhava ela quebrar meu galho.
Pena que foram sonhos, apenas sonhos.

Sonhos de um adolescente pirralho.
Foi ontem……………..

Por
Aslan Minas Melikian
05/02/2020

Uma Alma Navegante

(Para ouvir, clique na seta branca que está na faixa preta)

Uma Alma Navegante

Minha alma navega.
Nos mares do amor veleja.
O leme é a sua razão.
A vela é a sua paixão.
O mar é o seu abrigo.
O vento é o amigo.
As marolas melodias.
As estrelas são as guias.

Minha alma navega.
Nos mares do amor veleja.
Noite de luar, a ternura.
Sem estrelas, aventura.
Nas tempestades, o desafio,
Firme segue seu caminho.
Em cada porto, há um canto.
Alma gêmea, o encanto.

Minha alma navega.
Nos mares do amor veleja.
O veleiro é sua chancela.
A paixão é a sua vela.
A razão é o seu leme.
Segue firme nada teme.
Veleja imponente,
Do levante ao poente.
Do Cruzeiro do Sul a Ursa.
Em cada porto, uma alma gêmea.
Nos cais, a espera, a alma fêmea.

Por
Aslan Minas Melikian
27/01/2020