Minha Erótica Alma
Minha Erótica Alma
Olho no espelho, aí que percebo.
A minha imagem está diferente.
Será que é defeito do espelho ou da lente?
Ou ilusão da imagem que ficou na mente?
Faz tempo que não me olhava de frente.
A imagem não mente.
Estou mais calvo e com barba branca.
A imagem fala: está ficando velho, se manca.
Saudade dos meus quarenta.
Acabei de completar oitenta.
Octogenário?
Fala sério?
O tempo não é parelho.
Chega de mansinho.
Passa rapidinho.
Aí, percebo que o corpo está ficando velho.
Uma dorzinha aqui, ali e outra no joelho.
Saudades dos companheiros do jogo do baralho.
Jogando PIF-PAF ou Pocker, eu era bom pra caralho.
Será que eu sou uma pessoa calma?
Erótica é minha alma.
Inquieta e temperamental,
Consciente e sentimental.
Mergulho na minha mente,
Analiso o meu subconsciente.
Comparo o passado com o presente.
Percebo que o meu corpo envelheceu,
Minha alma rejuvenesceu,
Meu coração amoleceu,
Meu ser envaideceu.
Minha mente ficou mais vigilante.
Uma pessoa mais tolerante,
Melhor como amante,
Mais carinhoso com os infantes.
Agora sou um cara melhor do que antes.
Como me sinto como octogenário?
A minha grande família é o meu honorário.
Estou num baluarte,
Cercado de gigantes,
De filhos, netos e babados.
Genro e noras? Como filhos, são adotados.
Na minha ótica,
Minha alma continua erótica,
Eclética e caótica
Na cama saliente e poética.
No sexo, indecente e patética.
Minha alma é erótica.
Minha Erótica Alma.
Por
Aslan Minas Melikian
1/02/2023

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