Novos Tempos Velhos Épos.

Novos Tempos Velhos Épos.

Novos tempos.
Velhos épos.
Solidão nos tempos modernos
Não precisa de livros nem de cadernos.
Nem de enciclopédia munidos
Basta celulares e fones de ouvidos
Cercado de gente
O silêncio está presente
Todos na pauta
Em minha volta.
Reunidos em meu lar
Tento falar
A minha voz se perde no ar
Ninguém levanta a cabeça para olhar
A palma aberta e a mão erguida.
Sinal que vão me atender em seguida
Nos celulares ocupados
Ou na TV ligados.
Tento falar de novo e tusso
Nada feito, Tá ficando Russo.
Olho pra eles, todos estão na deles.
Outros tempos
Outros épos.

Paro e penso
Aí, eu sinto um amor imenso.
Eles são do jeito deles carinhosos
De jeito deles amorosos.
Nas redes sociais, eles interagem
No silêncio é a abordagem
Nesta hora, eu faço a minha parte.
Monologar com a TV é uma arte.
Boa noite, à apresentadora, declamar.
De louco podem me chamar.
Até sugerir um psicólogo para me tratar.
Direi, não é necessário, ao argumentar.
Passou dos setenta,
Agora aguenta.
Tudo que você aprendeu
Transcendeu.
Novos tempos.
Novos épos.

Por
Mr. Melikian
19/12/2020

Obs: Épos = epopeias.

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